quinta-feira, 2 de março de 2017

Brasil, país da repetência

O novo censo escolar mostra que um de cada quatro alunos chega ao fim do ensino fundamental com pelo menos uma reprovação no currículo

               Por Maria Clara Vieira – de Veja Educação
O censo escolar levanta ano a ano, escola a escola, dados que ajudam a dimensionar o quanto o Brasil avançou – ou não – na quantidade e na qualidade do ensino. Na edição que o Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), divulga nesta quinta-feira, há um dado que, mesmo tendo jeitão de reprise, deve vir aos holofotes como um aviso de que há algo de muito errado por aqui: a repetência no país continua entre as mais altas do mundo. Trata-se de um indicador inequívoco do baixo nível das escolas brasileiras.
Os números confirmam que o Brasil está ainda muito longe do que propõe o Plano Nacional de Educação: no papel, 95% dos alunos deveriam concluir o ensino fundamental na idade adequada até 2024; na realidade, 23% (quase um de cada quatro estudantes) que cursam o 9º ano em colégio público repetiram pelo menos uma vez ao longo de sua vida escolar. A diferença para as escolas particulares merece ser ressaltada pelo fosso que as separa: na rede privada, 7% tiveram a mesma trajetória.
“O alto índice de alunos repetentes sinaliza que o professor não está ensinando, o aluno não está aprendendo e o Brasil joga dinheiro fora num sistema inoperante”, resume a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães. Em 2015, a repetência dragou cerca de 30 bilhões de reais dos cofres públicos (está incluído aí o preço de pagar duas vezes pelo mesmo aluno). O economista americano Eric Hanusheck, especialista em derrubar os costumeiros mitos que pairam sobre a sala de aula, costuma dizer: repetir custa caro ao aluno e ao país. E pior ainda, é um ciclo vicioso. Repetência chama repetência. Mas que fique claro: a ideia não é passar todo mundo de ano baixando a régua. Escola boa é aquela que consegue evitar este desfecho sem abrir mão de metas elevadas.
Dentre os outros números do censo, vale destacar que a tão propalada universalização da pré-escola, que deveria ter acontecido até o ano passado, não se concretizou. Sim, era o que a lei exigia, mas os números mostram que ficou só no texto mesmo: 600 000 alunos de 4 e 5 anos ainda estão fora da sala de aula. Já está comprovado que quem entra na escola bem cedo, e recebe estímulos apropriados, se beneficiará disso por toda a vida escolar. Na outra ponta, 1,6 milhão de jovens entre 15 e 17 anos – a idade esperada para o ensino médio – não estão estudando. O censo não deixa dúvidas de que é chegada a hora de o Brasil começar a ter, com o perdão do trocadilho, senso (com “s”) de responsabilidade com o futuro.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Entenda o Novo Ensino Médio

O novo Ensino Médio promete melhoras na nossa educação
(foto: CEJDS.Arquivo)
      O presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciaram nesta quinta-feira, 22, o Novo Ensino Médio, a maior mudança na educação nos últimos 20 anos, desde a Lei de Diretrizes e Base da Educação. Com foco na aprendizagem do aluno, na manutenção dos jovens na escola e na oferta de uma proposta curricular que atenda não apenas às necessidades individuais dos estudantes, a proposta também oferece oportunidades iguais aos principais países do mundo.
O Governo anunciou, também, que vai investir R$ 1,5 bilhão em políticas de escolas em tempo integral, para atender a 500 mil novos estudantes de ensino médio nesse regime até 2018.
“As crianças e os jovens do Brasil têm pressa. A educação precisa avançar”, afirmou o ministro Mendonça Filho, ao apresentar a proposta. Um dos principais pontos do Novo Ensino Médio é a flexibilização do currículo. Serão ofertadas quatro áreas de estudo – linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências sociais e humanas. O modelo trará, ainda, a formação técnica e profissional dentro da carga horária do ensino regular.
“Hoje, cerca de 80% dos nossos jovens que terminam o ensino médio não entram na faculdade e saem sem formação para o mundo do trabalho. Precisamos dar oportunidade para esses jovens”, ressaltou o ministro.
A admissão dos alunos deverá ocorrer por proximidade da escola pública de origem ou local de moradia. As escolas e regiões de vulnerabilidade social ou com baixos índices sociodemográficos deverão ser priorizadas no momento da seleção. O volume de escolas será de aproximadamente 5% da rede, com o mínimo de oito e máximo de 30 escolas por Estado.
“Uma escola em tempo integral, até por sua carga horária diferenciada, tem custo de operação superior a uma escola regular. Desta maneira, para incentivar este tipo de escola, e entendendo o momento fiscal dos estados, decidimos subsidiar a operação de um volume de escolas, por estado”, ressaltou Mendonça Filho.
Segundo o ministro, a política de fomento à educação em tempo integral é eficaz e tem mostrado resultados altamente positivos no ensino médio em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e mais notadamente Pernambuco. “Pernambuco hoje tem mais de 40% da rede de ensino médio em tempo integral e saltou do 21º lugar do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2007 para primeiro lugar na última divulgação de resultados de 2015. Essas experiências de sucesso, com resultados concretos e consistentes, mostram um caminho para o ensino médio que vale seguir”, afirmou.
A carga horária continuará sendo de 2.400 horas, sendo o limite máximo de 1.200 horas para a Base Nacional Curricular Comum (BNCC). As demais 1.200 horas serão voltadas para o currículo flexível. “A BNCC vai nortear as aprendizagens e competências necessárias e o aluno poderá cursar os componentes curriculares definidos por esse documento. E na parte flexibilizada do currículo, o estudante que optar pelo aprofundamento e formação na área de ciências sociais e humanas, por exemplo, dedicará ainda mais tempo para os componentes curriculares como filosofia ou sociologia”, destacou o ministro.
O Novo Ensino Médio estabelece a ampliação gradual da jornada escolar conforme o Plano Nacional de Educação (PNE). Para estimular e ampliar a oferta do tempo integral, o Governo Federal vai trabalhar em parceria com os estados para duplicar o número de alunos atualmente nesse sistema. A política de escolas em tempo integral vai priorizar as escolas e regiões de vulnerabilidade social ou com baixos índices sociodemográficos. “Nosso foco é manter o aluno da escola e oferecer a ele uma educação de qualidade, dentro de um formato flexível, atual, viável e adequado à sua necessidade e ao seu projeto de vida”, defendeu o ministro Mendonça Filho.
No Novo Ensino Médio a oferta de língua portuguesa e matemática será obrigatória, ano a ano, durante os três anos do ensino médio. As demais disciplinas da Base Comum poderão ser ministradas conforme determinação das redes e das próprias escolas.
Em 20 anos, os jovens que estão concluindo o ensino médio no Brasil estão aprendendo menos português e matemática. Essa é apenas uma das constatações preocupantes registradas nos últimos estudos apresentados sobre a situação da educação no país. No resultado do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2015, o desempenho foi de 267 pontos em língua portuguesa. Uma redução de 8% em relação a 1995, quando a nota foi de 290 pontos. Em 2015, os alunos obtiveram uma proficiência média em matemática de 267 pontos, quando em 1995, a pontuação foi de 267. Diversificação – Em todo o mundo, o ensino médio é altamente diversificado e permite um amplo espectro de opções de estudo e formação para os estudantes, ao mesmo tempo em que procura assegurar os aspectos mais gerais da educação que se inicia no ensino fundamental e deve ter continuidade no nível médio até os 15 ou 16 anos de idade.
“Assim se organiza o ensino médio em países como a Austrália, França e Inglaterra, que definiram uma base comum de formação geral que garanta o aprendizado das competências e conhecimentos essenciais para todos os estudantes, permitindo, depois da escolaridade obrigatória de 10 ou 11 anos de duração, a diversificação da oferta sem impedir a continuidade de estudos no futuro”, apontou Mendonça Filho.
Em todos os casos, a diversificação do ensino médio pode ocorrer dentro de cada escola ou em escolas especializadas, ou mesmo por meio de uma combinação e articulação entre elas.
Formação – O Novo Ensino Médio trata da oferta de uma alternativa de formação média de nível técnico e profissional. Nessa proposta, essa formação deverá ocorrer dentro do programa escolar regular, que hoje só é possível nas escolas de tempo integral. Com isso, será possível que os jovens continuem desenvolvendo as competências gerais que fazem parte da base comum e possam se dedicar a atividades de cunho mais prático e aplicado, desenvolvendo competências específicas em áreas profissionais, capacitando-se para o trabalho qualificado, e continuem os estudos em nível superior, em cursos tecnológicos e superiores, em uma etapa seguinte.
“É importante ressaltar que a opção pela formação técnica profissional – cursos técnicos nas áreas de serviços, saúde, indústria, agricultura e outros – proposta no novo modelo, deve corresponder à parte da flexibilidade do currículo do novo ensino médio”, explicou o ministro. O requisito básico mais importante, além da parte comum da Base Nacional Curricular, é a exigência de um componente prático, na forma de atividades supervisionadas realizadas no setor produtivo ou em ambientes de simulação.
Cenário – O Ensino Médio no Brasil é tido como principal desafio da educação brasileira. Os resultados do Ensino Médio no índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) 2015 revelam que o país está estagnado, de acordo com as últimas quatro avaliações, em um patamar abaixo da meta desejada. E que apenas duas redes estaduais ultrapassaram a meta prevista. Além disso, o País ainda tem 1,7 milhão de jovens, de 15 a 17 anos, fora da escola.
De cada cinco jovens de 15 a 17 anos que ainda não concluíram o ensino médio, três estão matriculados nesta etapa, um ainda está no ensino fundamental, e um está fora da escola. O modelo de ensino integral proposto já foi alvo de vários estudos que demostram que o impacto em proficiência e fluxo é bastante relevante. Ele foi inspirado na experiência exitosa de Pernambuco, onde cerca de metade da rede é de ensino médio integral.
Deve-se levar em conta que a oferta de vagas integrais do ensino médio é ainda muito baixa. Para se ter um exemplo, em 2014 elas representaram apenas 5%.
A Medida Provisória nº 746/2016, que promove alterações no ensino médio, foi publicada no Diário Oficial da União, edição extra nº 184-A, nesta sexta-feira 23.   


Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

CEJDS começa ano letivo dia 20

Turma do 3º ano 2016 no momento final da solenidade de conclusão
 (foto: Landisvalth Lima)
     O Colégio Estadual José Dantas de Souza inicia o ano letivo de 2017 nesta segunda-feira, 20 de fevereiro, nos três turnos. A novidade este ano é a existência de apenas 3 unidades, com uma média de 66 dias letivos. A escola mantém quase que a mesma quantidade de turmas do ano passado, mas o turno matutino ficou mais povoado. São três turmas de 1º , duas de 2º e uma de 3º. O turno vespertino, como sempre, continua lotado com 9 turmas: 4 de 1º, 3 de 2º e 2 de 3º. O turno noturno apresenta 3 turmas, uma para cada ano do ensino médio. A previsão este ano é que todas as atividades se encerrem antes do Natal.
O corpo diretivo, formado pela Professora Rivanda Alves Nascimento (Diretora), pelo professor Gilberto Jacó (Vice-diretor) e pelo professor Landisvalth Lima (Vice-diretor), iniciou na Jornada Pedagógica, ocorrida nos dias 1, 2 e 3 de Fevereiro, a discussão do Programa Político e Pedagógico – PPP – para os próximos 3 anos. O objetivo é preparar a escola para as transformações que vão dar uma nova dimensão ao ensino médio, inclusive com a implantação de cursos técnicos. As metas são ambiciosas: ampliação física do colégio, com mais 4 salas, auditório,cozinha, refeitório, banheiros, laboratório, quadra esportiva coberta e outros.
Este ano, a direção pretende dar uma maior ênfase às questões pedagógicas, inclusive com a implantação de um currículo único organizado pelos professores das disciplinas. O aluno, pai ou responsável que quiser saber o que aprenderá em determinada unidade, é só clicar no nome da disciplina na coluna à direita neste portal. A padronização mínima de conteúdos evita os níveis diferenciados de conhecimento entre os alunos dos turnos. A escola sugeriu, embora os professores não sejam obrigados a aceitar, já que é o professor o licenciado, que a segunda unidade ficasse destinada somente às avaliações que não envolvam prova ou teste. A 1ª e a 3ª unidades seriam destinadas a provas e testes de valor até 10 pontos.
Já no início do ano letivo, a direção terá reunião com os pais ou responsáveis. Será na quarta-feira, dia 22 de fevereiro. A reunião oficializará a criação do Conselho de Pais e Mestres. Este ano a escola quer a divulgação instantânea dos faltosos e dará uma solução definitiva aos alunos que fingem frequentar o colégio. Ainda esta semana, a escola concluirá a instalação de mais dois aparelhos de ar condicionado. Com isso, o CEJDS já contará com 5 salas climatizadas e já está mobilizada para colocar ar condicionado nas demais ainda este ano. Este ano o colégio terá em seus quadros cerca de 750 alunos. Na reunião com os pais, a escola vai prestar uma homenagem aos estudantes que já efetivaram suas matrículas em universidades e os que foram destaques no ENEM do ano passado.